Profissões IBV – Professor

Shalom.

Eu sou Elvira da Silva Amorim, brasileira, casada, mãe, recentemente pastora e de profissão Professora. Exerço o Magistério há mais de 25 anos e já atuei em diferentes áreas da Educação.

Sou concursada pela Rede Municipal de Ensino desde 1990 (muito tempo, né?), mas antes disso já exercia a profissão, por designação temporária para a Rede Estadual e em substituição a alguns colegas.

Atuei em diferentes áreas da Educação: Docente (da Educação Infantil ao Magistérios), Capacitadora em Cursos de Formação Continuada, Pedagoga do CMEI Dorico Cipriano, Secretária Municipal de Educação, Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil da Rede Municipal, Coordenadora de Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos e outros.

Atualmente, estou afastada definitivamente da função de Regente de Classe, em função de um problema em minhas cordas vocais (excesso de uso da voz, sem o devido cuidado). O Senhor sabe de todas as coisas.

Mas quero lhes falar sobre a minha profissão: Ser Professor

O que é ter uma profissão? O que é ser professor?

Ambas as palavras derivam do latim professum: “declarar perante um magistrado, fazer uma declaração, manifestar-se; declarar em alto e bom som, afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar, ser professor” (Houaiss).

São muitos significados convergindo para um só sentido: professar é algo grave, importante, que requer iniciativa, responsabilidade e segurança. Eis aí resgatada a nobreza do compromisso com a profissão: ser professor é “obrigar-se”, ou seja, imbuir-se intimamente neste papel afirmativo e de liderança. A maioria dos verbos que o descrevem envolvem também a comunicação. Isto quer dizer que professar não é ação solitária, isolada ou introspectiva. Requer o outro, direciona-se a alguém, só faz sentido porque existe o aluno.

Missão nobre mas árdua, sem dúvida. Ninguém pode dizer que é fácil a vida do professor, seja ele professor, preceptor, docente, mestre, pedagogo, diretor. Estes são sinônimos que se cruzam nas várias definições do ofício de educar, mas que apontam para origens diversas:

  • Professorm. – 1. aquele que professa uma crença, uma religião; 2. aquele cuja profissão é dar aulas em escola, colégio ou universidade; docente, mestre;2.1. aquele que dá aulas sobre algum assunto; 2.2. p. ext. aquele que transmite algum ensinamento a outra pessoa; 3. aquele que tem diploma de algum curso que forma professores (como o normal, alguns cursos universitários, o curso de licenciatura etc.); 4. fig. indivíduo muito versado ou perito em alguma coisa; adj.5. que professa; profitente; 6. que exerce a função de ensinar ou tem diploma ou título de professor.
  • Docente 2g. 1. referente ao ensino ou àquele que ensina. Do latim docēre, “ensinar”.
  • Mestrem. – 1. pessoa dotada de excepcional saber, competência, talento em qualquer ciência ou arte; 2. indivíduo que ensina, que dá aulas em estabelecimento escolar, ou particularmente. Do latim magĭster, “o que manda, dirige, ordena, guia, conduz. [Têm a mesma origem as palavras maestro, magistratura, magistral…]
  • Pedagogom. – 1. escravo que acompanhava as crianças à escola; 2. pessoa que emprega a pedagogia, que ensina; 3. aquele que tem a prática de ensinar. Do grego paidagōgós, “escravo encarregado de conduzir as crianças à escola; preceptor de crianças, pedagogo”, pelo latim paedagōgus, “o que dirige meninos, aio, pedagogo, preceptor, mestre, diretor”.
  • Preceptor s.m. – 2. que ou aquele que dá preceitos ou instruções, educador, mentor, instrutor. Do latim  praecēptor, “o que lança mão de algo antecipadamente, o que ordena, instrui, mestre”.

Quem diria que pedagogo, na Grécia Antiga, era o escravo que acompanhava as crianças, ou uma espécie de preceptor, encarregado apenas pela educação doméstica das crianças de famílias nobres ou ricas! Isto mostra como a educação de crianças era considerada um assunto menor, ou no máximo um assunto para ser resolvido em casa, e apenas pelas famílias que tinham condições. Não havia a preocupação com a formação das crianças desde cedo, pois elas não eram consideradas cidadãos. O ensino formal começava apenas mais tarde, e privilegiando, é claro, os meninos.

A educação oficial no Brasil começa em 15 de outubro de 1827, com um decreto imperial de D. Pedro I, que determinava que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. É por causa desse decreto, inclusive, que o Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. A data, contudo, só foi oficializada em 1963.

Apenas a partir dos anos 30, com o surgimento dos grupos escolares, foi que o ensino público gratuito passou a se organizar e atender mais alunos. Nessa época, o poder público passou a se responsabilizar efetivamente pela educação das crianças. Assim, houve a expansão e interiorização dos grupos escolares e as primeiras escolas de formação superior de professores em licenciaturas surgiram.

A formação do professor se dá através dos cursos de graduação em Pedagogia e o profissional pode optar por diferentes especializações: Licenciatura em Séries iniciais do Ensino Fundamental, Supervisão Escolar, Administração Escolar, Inspeção Escolar, Docência Superior e outras.

Sou filha de uma família de professores e logo cedo comecei a exercer o magistério. Cursei o Magistério no Ensino Mèdio e me graduei em Pedagogia/Supervisão Escolar, com Pós Graduação em Administração e Orientação Educacional.

Ser professor é além de uma profissão, um sacerdócio. É um ofício de valor imensurável!

Minha motivação vem de diferentes personagens bíblicos, mas principalmente do Senhor Jesus. Fico imaginando vê-lo ministrar de maneira amorosa e firme. Atento ao que está além da letra.Porque esta é fria.

Gosto de pensar no que posso fazer para que meus alunos assimilem de maneira mais fácil cada conteúdo.

Professor é quem ensina. E o que é ensinar?

Ensinar v. 1. repassar (a alguém) ensinamentos sobre (algo) ou sobre como fazer (algo); doutrinar, lecionar. 1.1. p. ext. transmitir experiência prática a; instruir (alguém) por meio de exemplos; 1.2. tornar (algo) conhecido, familiar (a alguém); fazer ficar sabendo; 1.3. dar lições a, instruir; 1.4. mostrar a alguém as consequências ruins de seus atos; 2. mostrar com precisão, indicar.

Eis uma palavra que poderia ter infinitas definições, ganhar um dicionário só para ela. As que estão aí em cima sugerem princípios interessantes.

Tudo isso está contido, por definição, no ato de ensinar. Mas já vimos que nem sempre a realidade casa bem com a definição. Sobretudo quando se fala em “ensinar”. Este verbo terá tantas definições diferentes quantos forem os professores e professoras do Brasil, multiplicados pelo números de turmas e alunos que interagem com eles. Não existe uma fórmula única, uma maneira “correta” de educar que possa ser reproduzida por todos os professores e escolas. E isto implica em uma responsabilidade ainda maior: cabem a cada um de nós as soluções próprias para cada situação e a consciência de estarmos fazendo o melhor.

Nossa missão é nada menos do que isso: apontar o significado das coisas, assinalar o que julgamos importante, marcante, distinto. Para isso é necessário selecionar, escolher, julgar segundo critérios subjetivos. Quando ensino algo, por mais que seja apenas um conteúdo do currículo tradicional, estão embutidos na minha forma de ensinar os meus valores culturais, morais, éticos, a minha capacidade de interpretar os signos e de me comunicar. Para além do que digo ou escrevo, meu ato de ensinar inclui também o meu comportamento, minha maneira de ser, pensar e agir, até mesmo fora da escola. Ser professor refere-se também, e sobretudo, ao exemplo que se dá. Mais do que “transmitir saberes”, ensinar é ensignar: emitir novos signos, que os alunos recebem, interpretam, digerem e levam vida afora.

Como a formação do professor adquiriu uma abrangencia tão ampla, é possível encontrarmos pedagogos(professores) atuando em Igrejas, na Coordenação Pedagógica dos Ministérios de Educação Religiosa; em Empresas, na formação continuada de seus profissionais; em cursos livres de formação e, é claro, nas Unidades Escolares.

Aí está a nossa grandeza e o nosso heroísmo: desempenhar uma das mais relevantes missões humanas sob as mais adversas condições sociais. Há de se concordar com o que diz o escritor José Saramago sobre os professores: “São os heróis do nosso tempo”.

Portanto, eis aí o que somos:

Herói s.m. do grego herōs, “chefe, nobre; semideus; herói, mortal elevado à classe dos semideuses”, pelo latim hēros, “semideus, filho de um deus ou de uma deusa, homem célebre”.

Como filhos de um Deus Todo Poderoso, precisamos representar com dignidade a nossa profissão.

Nossa autoestima merece!

 

Elvira-profissao-ibv

Elvira da Silva Amorim

Professora